Vídeodrome: Cólera

São 42 anos sem parar. Levando sempre a palavra dos dias reais, da busca pela paz, por dias melhores. A Cólera é, sem sombra de dúvidas, a maior banda punk nacional. Não só porque nunca parou, mesmo após a morte de Redson que fundou a banda em 1979, mas porque sempre manteve o discurso social afiado aliado a sonoridade punk e sempre levou o lema do DIY ao pé da letra. Redson e o Cólera ajudaram muitas bandas.

A Cólera foi a primeira banda punk a tocar na Europa, em 1987. Indo com 18 shows marcados e voltando meses depois com 56 shows realizados em 10 países. Redson e a Cólera tocaram por todo o Brasil seja em festivais ou em locais underground. Ajudou bandas com equipamentos em gravações ou shows em um tempo que tudo era muito mais difícil. Além de Redson ter criado o selo Ataque Frontal para lançar bandas underground.

Em 1982 a banda ainda como quarteto participou da coletânea Grito Suburbano junto com Inocentes e Olho Seco. A sonoridade crua diz muito sobre como se lidava com o punk no começo, um estilo até marginalizado, sem espaço em estúdios bons para se gravar seja pela falta de conhecimento dos técnicos ou pelo valor para utilizar os equipamentos. O som “sujo” é a cara de um estilo que com os anos foi sendo lapidado em sua sonoridade até chegar as grandes gravadoras. Essa melhoria na qualidade final dos discos é visto claramente em cada disco da Cólera. Toda a discografia está disponível no Bandcamp da banda. Em 1983 outra coletânea. SUB saiu pelo selo Estúdios Vermelhos criado por Redson e traz a Cólera junto com Ratos de Porão, Fogo Cruzado e Psykóze e daí em diante o crescimento da banda e do punk nacional ganhou força. A banda seguiu lançando materiais que são pedras fundamentais da música pesada brasileira como os discos Tente Mudar o Amanhã e Pela Paz em Todo o Mundo. Discos que, assim como os outros, soam perfeitos nos dias de hoje por serem atemporais.

Em 2011 Redson faleceu e o que poderia ser o fim da banda virou homenagem por parte de outras bandas como Ratos de Porão e Inocentes. Parar não foi opção, mas sim manter o legado de Redson. Wendel Barros, ex-roadie da banda e aluno de Redson, assumiu os vocais e Fábio Belluci a guitarra. Assim a banda retornou ao formato original de quarteto com Pierre e Val, na formação desde os anos 80 na bateria e baixo respectivamente. A formação trouxe novo gás e a banda excursionou pelo país sendo bem recebida. O último lançamento é o álbum Acorde! Acorde! Acorde! de 2018. Um disco com cara de The Clash, influência assumida por Redson.

Trazemos o vídeo da apresentação da banda em 1997 no Festival 20 Anos do Movimento Punk, no Paço Municipal em Santo André.