De acordo com o Tidal, aplicativo que uso, até hoje (04/12) – dia que saiu a retrospectiva 2025 – foram 17200 músicas ouvidas no ano. Seria bem mais se não tivesse dedicado bastante tempo a podcasts de cultura e política. Essas músicas são de 851 artistas/bandas diferentes. Só música brasileira. É o que ouço há anos e por isso não me arrisco na lista internacional. A variedade é grande e como essa é a última lista a ser publicada, já que aposentaremos O Inimigo, vou eleger meu trio vencedor. Coisa que nunca fizemos. Sempre soltamos as listas sem posições definidas. Os três discos que mais gostei no ano foram: Gravidade (Renegades Of Punk), Detrás da Serra (Banda de Pífanos Caju Pinga Fogo) e o disco tributo aos Replicantes Nunca Mais Eu Ouço Você. Ao contrário de anos anteriores, 2025 foi o ano que mais ouvi rock. E só coisa feia.

Há anos que não definimos quantidade fixas para as listas. Já chegamos até a cruzar dados e fazer votação. Mas decidimos que cada um faz a sua do jeito que quiser. Me despeço de vocês com 20 discos +1 da Virna Lisi, banda que ouvia muito nos anos 2000 e descobri que está nos streamings. Vale ressaltar também a qualidade da arte das capas dos discos.

Obrigado a todos que nos acompanharam nesses 17 anos, que nos trombaram por aí e trocaram uma ideia e nos incentivaram com elogios, que nos xingaram e ameaçaram num passado distantes (risos), que beberam umas cervejas e curtiram shows conosco. Nos vemos por aí. Beijos.

Banda de Pífanos Caju Pinga Fogo – Detrás da Serra

(Spotify / Tidal / Youtube)

A Banda de Pífanos Caju Pinga Fogo é de Teresina e surgiu em 2016 da reunião de amigos na UFPI. Antes lançaram o disco Rosa dos Ventos e no lançamento mais recente seguem exaltando a rica cultura nordestina através do pífano. A melhor definição de quão bom é o disco é do amigo Renato: “cansei o bico de assoviar”.

Renegades Of Punk – Gravidade

(Spotify / Tidal / Bandcamp)

O último álbum – Coração Metrônomo – do trio punk tropical de Aracaju foi lançado em 2012. De lá pra cá as aparições foram em splits e EPs. Valeu a espera por Gravidade, disco mais bem acabado da carreira da banda. Muito pelas mãos de Fernando Sanches do El Rocha Estudio. O disco foi lançado no dia 8 de março e tem tudo a ver com boa parte da temática das músicas. Fizemos um faixa a faixa com Dani (guitarra e voz) logo após o lançamento do disco.

Vários – Nunca Mais Eu Ouço Você

(Spotify / Tidal / Youtube)

O tributo pensado por Edu Normann tem o ótimo papel de reverenciar a clássica banda gaúcha Os Replicantes e ao mesmo tempo apresentar bandas novas a quem ouvir o disco. Em 17 músicas, o disco segue a cronologia dos discos lançados pela banda. Com versões singulares mantendo a característica autoral de cada participante da coletânea. Seja no pop dançante a Autoramas ou no barulho da Loomer que abre o disco. Leia matéria aqui.

Jangada Pirata – Sal de Casa

O quarteto Cecília Mesquita (voz), João Vitor Fidanza (guitarra), Ricardo Arraes (baixo) e  Jefferson Castro (bateria) é de Fortaleza. Levaram cinco anos maturando o álbum de estreia que passeia entre Dorival Caymmi, Pink Floyd e Cidadão Instigado, é claro. O passeio entre músicas mais dançantes pop e puxadas ao psicodelismo cria um disco com cheiro e gosto de praia, cheio de lirismo.

Dani Cruz – Canto de Sol

Dani Cruz já mostrou em sua estreia com o EP Elas Querem Samba (2021) que a mistura entre música pop, samba e música brasileira como um todo seria o cerne de sua produção. Em Canto de Sol Dani trabalha com Daniela Fernandes, Gracinha, Juliana Linhares e Khrystal. E segue ladeada por Jubileu Filho e Mônica Michelly que a acompanham como banda e na produção. O disco mostra toda a versatilidade e crescimento constante de Dani, seja cantando ou produzindo como o evento Samba de Sereia que enaltece a produção feminina musical.

Jovens Ateus – Vol. 1

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Gostei da banda desde a estreia com o EP homônimo, passando pelo split com a Budang e chegando ao álbum chancelado pelo selo Balaclava. A sonoridade oitentista dançante pulsando na cadência do baixo e sintetizadores com toques precisos das guitarras casam muito bem. E ainda tem as letras sobre os dias nebulosos que combinam totalmente com a sonoridade. Passaram pelo Festival DoSol e agradaram quem conhecia ou não a banda.

Deaf Kids, Test – Sem Esperanças

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Em março (creio eu) as duas bandas se apresentaram em Natal em um mesmo evento, separadas e juntas ao fim. Apresentando o que viria a ser o show visto no Festival DoSol. Uma rave jam session do capeta. Peso e suingue através de guitarras, baterias, voz e programações, andam lado a lado como a trilha sonora de um mundo que luta todos os dias pra não colapsar.

Rachel Reis – No Seu Radinho

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Desde a estreia em 2021 com Encosta Rachel Reis segue uma fórmula que mistura pop, eletrônico, samba, pagodão baiano e o que mais couber. Com todos os elementos bem amarrados fazendo uma música dançante. Com apenas 28 anos não pode mais ser chamada de aposta, já que apenas quatro anos depois coleciona discos excelentes. Em 2025 lançou Divina Casca e No Seu Radinho. Ambos com várias participações como Afrocidade, Carlinhos Brown, BaianaSystem, Don L e outros. Entra aqui com uma dobradinha!

Manger Cadavre? – Como Nascem os Monstros

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Metal nunca foi minha praia, mas pontualmente gosto de algumas bandas. A Manger Cadavre? é uma delas. Segundo disco da banda paulista que entra aqui. A combinação sonoridade e letras é ímpar. Como Nascem os Monstros é uma narrativa do passado, do presente e do futuro. Do capitalismo, dos seus agentes e de suas presas.

Siba – Máquina de Fazer Festa

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Seja no Mestre Ambrósio, em sua carreira solo, com parcerias com Barachinha ou Roberto Côrrea ou com a Fuloresta. A produção de Siba sempre merece ser escutada. Entre regravações – “A Bagaceira” e “Vale do Jucá” – e novas composições, destaque para “Os Melhores Dias da Minha Vida”, composição de Lourenço da Fonseca que você deve conhecer por Capiba. No mais é botar pra tocar e refestelar com a sonzeira da big band e poesia.

Zepelim e O Sopro do Cão – Arquibancada Sol

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Direto de Campina Grande (PB) veio um dos discos mais interessantes do ano e um dos melhores shows do Festival DoSol 2025. A capa mistura Tarsila do Amaral com a “geral” dos grandes estádios raiz. A sonoridade lembrou bandas que curtimos como Sheik Tosado e Cabeça, como lembrou Alexis em texto aqui no site. Disco pra dançar e bater cabeça.

Jup do bairro – Juízo Final

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Em “Intro” que abre o disco, Indianarae Siqueira fala “As religiões são mecanismos inventados pelos seres humanos como uma resposta a essa crise existencial do próprio ser humano”. Isso é um trecho do ótimo discurso. Unindo essa abertura com o título do álbum e a capa, fica claro que as músicas vem pesadas. Entre as parcerias com Black Pantera, Negro Leo e a já citada Indianarae, o disco passeia por rap, rock e funk. Com peso, balanço e discurso. A festa não acabou, nem o mundo e nem as sacolas plásticas. Que Jup siga experimentando.

Totonho e Os Cabra – Aí Dentu: Funk de Embolada e Hip Hop do Mato

(Spotify / Tidal / Youtube)

Coco, embolada, funk e hip hop andando de mãos dadas. Quem já viu um show do homem sabe que a energia e diversão são grandes. Temas sérios, as vezes sensíveis, ganham menos peso e a pegada dançante com a forma de Totonho abordar tudo. Renato Oliveira assina parte da produção e André Abujamra com Furmiga Dub outra parte, o que dá um caráter mais diverso a produção.

Zefirina Bomba – Lêribí (Clan Sessions)

(Bandcamp)

O trio Zefirina estava parado, meio esquecido, sem gravar. Aaté que voltaram a tocar e 2025 foi bem prolífico. Lançaram disco pelo DoSol, single “Canudos” dedicado ao padre Júlio Lancellotti e o EP em sessão ao vivo que foi o escolhido para estar aqui porque captou mais a urgência que é a banda ao vivo. O título do disco e capa é uma alusão ao clássico dos garotos de Liverpool. No caso aí são 4 enviados do capeta. As quatro músicas retratam a realidade que muitas vezes é na verdade ilusão e manipulação.

Budang – Magia

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Depois de EPs, singles e Split com a Jovens Ateus (que entrou na minha lista de 2024), a Budang chegou ao álbum com a chancela da Deck Disc. Guitar rock, funk, hardcore e punk numa profusão de palavras com o linguajar de Santa Catarina. São 16 músicas em 31 minutos. Mesmo com a velocidade, há espaço para uma pegada mais melódica como em “Deixa Quieto” e “Fala Tu”.

Mateus Aleluia – Mateus Aleluia

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Em tempos tão rápidos, ouvir a entidade Mateus Aleluia é um desafio. E ao mesmo tempo um exercício de contemplação. Ancestralidade em toda a sua forma. Dê o play e curta sem pressa a viagem de Mateus por um mundo em extinção.

Visione Obscura – VxSxOxBx

(Spotify / Bandcamp / Youtube)

Black Metal Punk gravado ao vivo. O duo Felipe Barbugiani (vocal/guitarra) e Thiago Padilha (bateria) lançou em 2024 o EP, “Kvlto (A) Pedra”. O novo EP VxSxOxBx tem uma pegada mais reta, com letras mais diretas. Destaque para a capa de Giulio Sertori que está entre as mais bonitas do ano.

Clan dos Mortos Cicatriz – Técnicas de Morte

(Spotify / Bandcamp / Youtube)

A prolífica banda curitibana chega com mais um disco rápido/urgente. Hardcore/Punk da melhor qualidade. São 15 músicas em menos de 26 minutos. Pelos temas “Pregos Podres”, “Máscara da Morte”, Olhos Vazios”, entre outras, dá pra sentir que o disco combina com muitos dos dias atuais desgraçados que vivemos.

Alessandra Leão e Sapopemba – Exu Ajuô

(Spotify / Tidal / Youtube)

O EP marca a parceria de Alessandra Leão e Sapopemba em homenagem a Exu. O disco une caminhos e fronteiras com pontos, reisado e músicas com influência indígena, como “A Onça”. As palavras de Alessandra para o Scream & Yell refletem bem o que é o disco: ““Esse repertório fala sobre fundamento – o que nos sustenta como artistas, como ogã e curimbeira, como gente, como nordestinos, como brasileiros. Me parece um momento importante do país e do mundo para a gente renovar um pouco da esperança”.

Oruã – Slacker

(Spotify / Bandcamp / Youtube)

Se ligue que não é o rapper. Aqui é rock lombroso. Oruã/Lê Almeida e as bandas da Transfusão Noise Records sempre agradam a redação. Slacker segue a viagem de sempre da banda em suas produções. Ou seja, acenda a tocha e curta a viagem. A banda também lançou o split Reflectors, Vol.1 com a banda Reverse Death.

Virna Lisi – O Que Diriam Os Vizinhos?

(Spotify / Bandcamp / Youtube)

O Que Diriam Os Vizinhos?, segundo disco da banda mineira de Montes Claros, completa 30 anos em 2025. Comprei o CD na Aky Discos do calçadão da Rua João Pessoa no Centro de Natal. Bons tempos. O disco é uma mistura e é possível fazer paralelo com a Zepelim E O Sopro do Cão que entrou aqui também. E com as citadas Cabeça e Sheik Tosado. Uma mistura de rock, hardcore, forró, samba e poesia concreta. Três discos lançados (os dois primeiros pelo selo Tinitus do ícone da produção musical Pena Schmidt) e a dispensa da gravadora (MCA). Podiam ter ido mais longe como várias bandas dos anos 90 que ficaram pelo caminho. O primeiro disco Esperar o que? também é excelente e veio antes de Da Lama aos Caos, Samba Esquema Noise e Raimundos que também misturavam elementos na mesma época. Destaque para a pesada, em todos os sentidos, “O Carteiro”.

Uma resposta a “Melhores de 2025: Hugo Morais”

  1. […] eu poderia incluir, como Renegades of Punk e Zepelim e o Sopro do Cão, já foram contemplados na lista de Hugo, e eu teria pouco a acrescentar além do que ele […]

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