É isso mesmo, galera: o rock não morreu. No meio da dispersão que as redes sociais e os streamings trouxeram, muita coisas boa se perde. E aí que o tributo a banda gaúcha Os Replicantes (Wander Wildner, Carlos Gerbase, Luciana Tomasi, Julia Barth, Cláudio Heinz, Heron Heinz, Cleber Andrade), Nunca Mais Eu Ouço Você, tem dois papéis: mostrar as novas gerações a clássica banda gaúcha e mostrar bandas novas a quem ainda se interessa pelo novo. E aí a piada do título faz sentido. Dezessete bandas refizeram clássicos e outras músicas menos conhecidas, cada uma dando seu toque especial. Em meio as 17, tem até uma gringa. A cubana Katarziz, que está radicada no Brasil há 3 anos.
O tributo segue e cronologia dos lançamentos. “Princípio do Nada” que abre o disco com o barulho da Loomer é da compilação Rock Garagem, vol. 1 (1984). O Futuro É Vórtex (1986) e Histórias de Sexo & Violência (1987) aparecem mais por terem muitos clássicos. Os álbuns Papel de Mau (1989), 2010 (2010), e Libertà (2018) também aparecem no tributo. A banda seguiu produzindo álbuns até 2018 e aparecendo em singles, compactos, coletâneas e compilações até 2020. O disco tributo passa por seis discos, onde apenas um não é álbum de estúdio.
O tributo foi pensado por Edu Normann (Space Rave), que já tinha organizado o Um Tributo Brasileiro ao Kraftwerk (2021) ao lado de Gabriel Thomaz e lançado por seu selo Maxilar Music, quando convidou cada banda e sugeriu uma música que imaginava que soaria legal. Natural que algumas bandas/artistas optassem por mudar a música. Esse processo foi repetido para o tributo aos Replicantes. Em conversa com Edu, ele confidenciou que a Loomer que abre o disco não iria participar. Mas uma ida de Stefano (vocalista da Loomer) ao Dub Studio mudou isso. O vocalista soube do tributo e pediu para a banda entrar. Edu brincou: “É a primeira vez que Stefano cantou em português na vida. Stefano até aprendeu português pra cantar a música dos Repli”.
O tributo passeia pelo rock em suas mais variadas vertentes, pelo eletrônico, e pelo pop. Cada banda deixou sua marca como a Autoramas que transformou “Nicotina” num pop dançante ou a Damn Laser Vampires que fez uma versão em inglês para a letra de “Inverno Sombrio” e deixou a música mais soturna como é característica da banda. Destaques para “Princípio do Nada” (Loomer), a instrumental surf music “Surfista Calhorda” (Os Pampa Haoles), “Boy do Subterrâneo” (Space Rave), “One Player” (Kim Kircher), “Hippie Punk Rajneesh” (Cigarras) e “Nightmares” (Dirty Grills).
Lançamento do DUB STUDIO. Produzido por Edu Normann e Fabio Gabardo. Arte da capa por Fabio Alt.






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