Foto: Rafael dos Santos
O trio Junx (Jack, Wagner e Andola) está de volta. Depois do EP Niilismo, lançado em 2023 com duas músicas, a banda lançou o EP Selva de Pedra (ouça no fim do papo) com quatro músicas. Batemos um papo rápido com o trio sobre o novo disco, sua gravação e influências, sobre shows ( a banda é uma das que mais tocam em Natal) e a necessidade de mais engajamento para ser visto nos dias atuais.
O Inimigo – De cara o que chamou a atenção foi a qualidade do som. Foi gravado ao vivo com Flávio e mix/master de Nicolas Gomes. Como foi esse processo? Foi conjunto ou deixaram nas mãos dos caras total?
Junx – O processo de gravação foi muito tranquilo. A gente já tinha gravado antes no Black Hole com Flávio e dessa vez ele já sacava melhor o que a gente queria fazer, então a produção ficou por conta dele. Nós optamos por gravar no formato ao vivo, tocando os 3 juntos e depois adicionando os vocais, pra deixar o som mais orgânico, mais “encaixado”. Por fim, na etapa de mixagem e masterização, a gente repetiu a parceria com Nicolas que todo o tempo teve a liberdade de orientar cada fase do processo com a experiência dele e isso fez muita diferença no resultado final.
Os temas giram em torno dos dias mas “1984” (inspirada na obra de Orwell) chama a atenção e acho que pode resumir o disco e os dias atuais. Está na hora de mais bandas punks voltando a reivindicar dias melhores?
A gente busca fazer na Junx aquilo que gostamos de escutar: músicas rápidas, enérgicas e na pegada punk rock de protesto e conscientização, cantado em português. O tema das músicas desse EP falam sobre o indivíduo questionando os valores da sociedade, refletindo sobre a desigualdade e inconformado com a antipatia e egoísmo das pessoas diante do capitalismo. A música “1984”, por exemplo, foi inspirada no livro “1984” do escritor George Orwell, que fala sobre a alienação das pessoas em um estado de governo totalitário reprimindo a liberdade das pessoas. E hoje vendo as movimentações pelo mundo desse tipo de pensamento voltando à tona é importante sim que mais bandas tragam essa contestação ao debate.
Vocês tocam mais por Natal. Como estão os planos de tocar fora daqui?
Sempre tocamos em eventos aqui da cidade e inicialmente, quando lançamos o primeiro single, esse era o plano, mostrar o som por aqui, fazer girar nosso material e ganhar maturidade de palco com a banda, por assim dizer. Agora com o novo EP os planos são de mostrar o som pra quem não conhece, tentar pequenas turnês pelas cidades e estados mais próximos e se organizar pra uma turnê no sudeste.
Porque só botar o disco no Soundcloud e Bandcamp?
Na verdade foi mais um problema de logística de ter saído inicialmente só no bandcamp e soundcloud (risos). mas disponibilizamos também nas outras plataformas como spotify, youtube music e todo o bonde que vai junto quando disponibiliza pra esses streamings. Apesar dessas plataformas (spotify, youtube…) não darem o retorno adequado pros artistas que divulgam trabalho por lá, ainda assim é uma vitrine mais acessível pra quem não conhece o som.
Ainda há espaço pro tipo de som de vocês nos festivais?
Com certeza há espaço, na real tem espaço pra todo tipo de som, seja do mais pop só pra dançar ao mais pesado com reflexões sobre a sociedade e tal. Acho que o que “impede” de bandas como a gente entrar nesse circuito é a falta da “profissionalização” da banda, por assim dizer. Acho que pra banda estar dentro desses festivais hoje em dia é necessário um engajamento maior, o que demanda um esforço grande por parte de quem faz a banda girar, e isso envolve entre outras coisas, tempo e grana, o que geralmente não condiz com a rotina de quem tem banda como um projeto paralelo a trabalho e outras responsabilidades da vida.






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