Emerson Ribeiro, aka Songy, esteve nos palcos com as bandas Antenas do Jardim (1999 / 2003) e Mamute Sound (2003 / 2017). Músico e guitarrista, ele lançou Alecrim Soul, seu segundo disco solo. Um EP em homenagem ao bairro do Alecrim. Um dos bairros mais antigos de Natal, conhecido pelo seu comércio de rua que resiste firme e forte – ao contrário da Cidade Alta – contra os shoppings. Emerson homenageou o hospital Policlínica onde nasceu, o mais famoso cemitério da cidade e até o jardim da infância onde estudou. Batemos um papo com ele e você pode ouvir o disco ao fim da entrevista.
O Inimigo – Emerson, o disco faz alusão ao Alecrim e alguns pontos. Como foi a construção das músicas? Foram memórias suas de cada lugar que guiaram a construção?
Songy – Sim. Um resgate das minhas memórias e impressões que hoje faço do lugar. Esse trabalho serviu como um tipo de egotrip. Um crossover dessas lembranças e idem uma maneira de eu celebrar esse bairro onde nasci.
Enquanto a construção das músicas não foi algo sistematicamente pensado. Simplesmente fluiu de maneira bem natural. Depois foi apenas mapeá-las sem maiores pretensões. O título das faixas entregam cada situação que vivenciei pelo Alecrim. Desde a Policlínica onde nasci, meu jardim de infância, o endereço onde mais tempo morei à época, passando também pelo cemitério e o bairro no geral que traduz o título desse EP. E embora as músicas sejam apenas instrumentais, logo sem nenhuma letra servindo como bússola aos ouvintes, eu creio que consegui passar o sentimento inerente a cada lugar representado.
O bom de serem instrumentais é que o ouvinte faz sua própria interpretação. Você apontou pro passado. Olhando pro bairro hoje você acha que as músicas cabem? São atemporais?
Acredito que cada música cumpriu seu papel e intenção. O passado e o presente desaguaram no mesmo rio existencial, digamos assim. A inspiração mesmo impregnada de nostalgia, ainda carrega em sua essência um verniz que vai além de qualquer linha do tempo. Inclusive posso até dizer que o próprio cemitério do Alecrim é um exemplo pertinente de algo atemporal. Por isso nasceu a faixa “Necrópole”. Afinal a história do Alecrim e da própria Natal, está em cada túmulo de lá. Por mais que nossa história seja negligenciada nesse aspecto.
Verdade total. Perguntei isso porque o Centro, por exemplo, não é mais o mesmo. Mas o Alecrim segue com sua importância.
Exatamente. Talvez o caos do Alecrim tenha o seu charme com sua poluição visual e sonora. Isso felizmente faz parte do lugar. O Centro da cidade tem suas origens históricas na burguesia. O Alecrim sempre foi mais povão nesse sentido. Pelo menos é a leitura que tenho de tudo que vivenciei e li sobre Natal. Eu na condição de artista tenho um olhar bastante crítico, mas sem perder o lado onírico da obra. No fundo a gente só condensa as influências musicais na roupagem que mais convém ao momento.
Você já andou pelos palcos, esse disco será levado a eles ou ficará nos canais virtuais?
A última vez que pisei no palco foi com a minha antiga banda, a Mamute Sound e isso já tem mais de 10 anos. Eu sempre curti tocar ao vivo e confesso que sinto falta disso. Mas sem ter uma banda para dar esse suporte fica inviável fazer show de lançamento do EP. Se eu tivesse a grana do Lenny Kravitz eu contrataria os músicos para me acompanhar nesse sentido. (Risos). Mas não acho justo chamar quem tocou comigo no disco só pela “brodagem” ou em troca de algumas cervejas por aí. Tenho quase 49 anos e a energia que a gente dedica aos palcos não é mais a mesma. Isso implica também a formar um novo grupo. Uma nova gangue com a mente mais madura. Todos os dias penso em formar uma nova banda, pois sempre fui um entusiasta da música autoral daqui, mas encontrar as pessoas certas e com a mesma missão de vida, já são outros quinhentos. Porém, como diz a canção: “Tomorrow never knows”.
Você lançou um ep. Vem mais um ou álbum?
Pretendo lançar um single inédito em fevereiro. É uma música que fiz em homenagem ao George Harrison. Mas estou estudando quem vai cantar nessa faixa. Provavelmente será alguma cantora. Eu tenho muita coisa escrita e algumas demos que dariam um álbum de inéditas. Mas por enquanto elas ficarão hibernando no meu PC.






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